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Um Guia Prático para a Segurança Contra Incêndios


Por Abhishek Chhabra

Quando as pessoas no Brasil estavam construindo edifícios como o Mosteiro de São Bento, as opções de metodologias de construção e materiais eram muito limitadas e o comportamento das pessoas era bastante previsível. Muitos desses edifícios ainda estão muito bem. Mas agora a complexidade que afeta a construção mudou muito, assim como a disponibilidade de novos materiais. Embora essas mudanças tenham ocorrido em um ritmo muito rápido, as leis e regras (regulamentos da construção) que definem os requisitos mínimos levam muitos anos para mudar. Essa defasagem é um desafio sistêmico e mundial. Mas alguns guias importantes publicados pela International Organization for Standardization (ISO), Organização Internacional de Normalização, por tradução literal, continuam a ajudar a definir a qualidade e a segurança em todos os setores, enquanto as leis se atualizam. Quer se trate de segurança elétrica, produtos industriais, alimentos, farmacêuticos ou inspeções dentro de fábricas, canteiros de obras ou hospitais. Esses guias fornecem a linguagem imparcial muito necessária para ajudar a adquirir e fornecer produtos e serviços em um mundo em rápida transformação. Vamos entender como usá-los para garantir a segurança contra incêndios também.

Qualquer aquisição precisa de um sistema imparcial que traga a garantia básica necessária para qualquer transação – “obter o que você deseja”. Com tantos acidentes de incêndio acontecendo na Índia (e no mundo); todos querem que esses incêndios não ameace a vida e evitem danos materiais. Este artigo sugere maneiras simples de implementar etapas ​​que podem ser adicionadas às Especificações Técnicas e Cláusulas Comerciais nos contratos para garantir a Segurança contra Incêndios. Assim, salvaguardando os investimentos e garantindo o mínimo de danos à vida e ao patrimônio em caso de incêndio.

Quem são as partes interessadas?

Para a Indústria da Construção, a Imagem 1 define alguns stakeholders-chave que precisam firmar contratos comerciais (para “conseguir o que querem”) entre si. A linguagem chave usada para definir as expectativas geralmente é um documento de especificação. Agora, a definição de Segurança contra Incêndios e sua Implementação costuma escapar devido à falta de consciência para perguntar “exatamente” o que é necessário.

Essas partes interessadas se envolvem direta ou indiretamente no Projeto, Construção e Manutenção. A imagem 2 define algumas etapas principais que garantem que os aprendizados com os erros do passado (capturados nos códigos de construção e outros documentos de orientação) sejam evitados. A parte complicada é implementar esses conceitos com as limitações de tempo, dinheiro, disponibilidade de produtos ou materiais corretos e falta de treinamento, consciência e compreensão da implementação. Uma melhor compreensão e uso dos guias ISO mencionados torna mais fácil projetar, construir e manter. Um traço comum entre essas etapas é a aquisição de materiais e a recorrência da instalação. Fazer com que a linguagem comercial e técnica se alinhe aos contratos das partes interessadas torna mais fácil garantir a entrega do que foi projetado.

Simplificando a aquisição: materiais e instalação para segurança contra incêndios

Antes de continuar a leitura, devemos saber a verdadeira diferença entre voluntário e obrigatório. Tornar algo obrigatório requer que uma lei seja promulgada; isso requer um consenso. Essas leis exigem que documentos técnicos (como códigos de construção) também sejam consultados. E esses Documentos Técnicos também exigem um consenso. Aqui está o risco devido à defasagem que é bem conhecida. Muitas construções são concluídas enquanto esses dois consensos são alcançados. Consequentemente, grandes cadeias de hotéis, hospitais, estabelecimentos comerciais e de varejo e seguradoras e resseguradoras nunca contam apenas com os requisitos mínimos obrigatórios em qualquer região geográfica. Eles entendem que à medida em que os materiais de construção e as metodologias de construção evoluem; confiar no mínimo obrigatório é risco elevado demais e pode levar à perda de reputação, receita e, claro, vidas e bens. Portanto, é prática comum usar códigos de construção mais evoluídos e outros documentos com respaldos técnicos. Portanto, as especificações técnicas precisam estar atualizadas. E estes são implementados usando mecanismos avançados de avaliação da conformidade para maior garantia.

Avaliação da conformidade são todas as atividades concluídas para determinar se um produto ou serviço atende aos requisitos (Int)).

Vamos ler como os mecanismos de avaliação da conformidade são definidos em conjunto por especialistas de 165 países (incluindo o Brasil). Esses especialistas formam e definem a ISO. Os padrões abaixo têm ajudado órgãos governamentais, bem como grandes investidores e redatores de especificações, nas formas de avaliar e definir “obter o que deseja”. Veja a Imagem 3, que dá uma visão geral dos termos e definições usados ​​pelo Comitê de Avaliação de Conformidade da ISO (CASCO). Abaixo estão os três padrões cujas referências devem ser utilizadas de forma eficaz para aquisições. Esses três também são usados ​​para descrever um estudo de caso neste artigo.

• ISO / IEC 17025: Requisitos Gerais para a Competência de Laboratórios de Teste e Calibração (por tradução literal)

• ISO / IEC 17065: Avaliação da conformidade – Requisitos para organismos certificadores de produtos, processos e serviços (por tradução literal)

• ISO / IEC 17020: Avaliação da conformidade – Requisitos para a operação de vários tipos de organismos que realizam inspeção (por tradução literal)

Compreendendo etapas simples com um estudo de caso

Um hotel 5 estrelas de luxo com 300 quartos em Dubai custaria cerca de 80-110 milhões de dólares americanos para ser construído. Os sistemas prediais representam cerca de 35% deste custo (~ 30 milhões de dólares americanos) apresentam elementos-chave para criar compartimentação e garantir a segurança contra incêndios. A compartimentação ou a criação de um compartimento da área onde o fogo é iniciado ajuda a garantir que um incêndio que seja contido por 2 ou 3 horas em um determinado local, dando tempo suficiente para evacuação e resgate. Isso é criado usando portas corta-fogo, paredes divisórias, bem como sistemas de selagem resistente ao fogo completas e outros mecanismos que ajudam a vedar as aberturas para tubos e utilidades.

Se as especificações ou implementação deste plano de segurança contra incêndio forem superficiais ou incorretas, a propriedade pode sofrer um grande incêndio e ficará fechado por cerca de um ano na melhor das hipóteses. Portanto, ao renegociar com fornecedores e empreiteiros para economizar dinheiro aqui, deve-se estar ciente do impacto que tal economia poderia levar. O impacto de um pequeno incêndio versus um grande incêndio!

Sem levar em consideração o custo do terreno, os ganhos de tal propriedade (após remover as despesas dos operadores, os lucros antes dos juros, impostos e amortização) são estimados em cerca de 6 milhões de dólares americanos por ano. No caso de um incêndio que poderia ser contido em um ambiente, agora se transforma em um grande acidente e possível perda de vidas e bens. E, claro, as perdas de receitas já provisionadas, danos à reputação, entre outros. No Brasil, esse fechamento pode ser por muitos anos. A matemática aqui é simples.

Vamos entender as etapas que podem ser implementadas para aumentar a garantia e minimizar essa perda.

Etapa 1 (projetar e especificar)

Para garantir que a segurança contra incêndio inerente (proteção passiva contra incêndio) funcionará, vejamos a relação entre os materiais de construção, projetos e instalação. Uma tábua ou uma porta não pode realmente conter um incêndio em um compartimento por conta própria. Juntamente com a garantia da recorrência da produção de uma placa ou porta (resistentes ao fogo), uma garantia semelhante é necessária para todos os componentes e a verificação da instalação de acordo com o projeto que foi validado por um mecanismo de conformidade.

Tenha em mente que um Relatório de Ensaio de Incêndio é apenas uma indicação de que um Fabricante e o Instalador têm a capacidade de produzir e instalar um conjunto de porta / compartimentação que pode conter um incêndio (por determinado número de horas). Para garantir o fornecimento ao local do projeto, você precisa contar com um Organismo de Certificação e Listagem. Você deve saber que é incomum ler como a porta corta-fogo ou o conjunto de compartimentação foram instalados em um laboratório de ensaio. Além disso, é impossível descobrir como eles foram realmente fabricados a partir do relatório de ensaio! Portanto, para garantir o fornecimento para o local do projeto, você precisa contar com um organismo de certificação e listagem (descrito mais abaixo). E, claro, o organismo de certificação deve ser credenciado por um organismo de acreditação independente para certificar com base na ISO 17065. Uma auto certificação é como dizer: “Estou verificando se meu trabalho está correto ou não”.

Na mesma linha, os relatórios de ensaio usados ​​para certificação ou verificação devem vir de um Laboratório de Teste que foi credenciado por um organismo de acreditação independente para testar com base na ISO 17025. Os inspetores que validam as instalações no local devem ter qualificação e experiência que foi ratificada usando a ISO 17020 por um organismo de acreditação independente. Para evitar tal situação (onde um vendedor de produto ou um laboratório de teste ou um organismo de certificação afirma que eles são bons) referenciar esses padrões ISO corretamente nas especificações é crítico.

Etapa dois (compreensão da certificação e listagem)

Se um material de construção ou um sistema está se preparando para um ensaio de fogo, sabe-se que um ensaio ocorrerá em uma amostra / montagem determinada. Isso é muito diferente de medir o peso de uma mercadoria em uma balança ou a taxa de fluxo em um tubo ou fio elétrico. Portanto, quando a vida de pessoas e danos à propriedade estão em jogo; um melhor entendimento e implementação do sistema de garantias é importante. Veja a tabela 1 (Copyright ISO) do guia ISO 17067 na Imagem 4. Isso é usado pela ISO 17065 (para certificação) na definição de diferentes tipos de mecanismos de Certificação e Listagem que são usados ​​para aumentar a garantia. Muitos organismos de certificação têm programas que seguem um mecanismo muito rigoroso (tipo 5 ou superior) para fornecer altos níveis de garantia. Como exemplo, o Código de Segurança Contra Incêndios e Vida nos Emirados Árabes Unidos publicado pela Defesa Civil exige a conformidade do produto de acordo com o Tipo 5 desta tabela no Código de Construção. Grandes contratos, seguradoras e especificações de aquisições costumam fazer referência a esses padrões para definir mecanismos imparciais para obter altos níveis de garantia com grande detalhamento.

A imagem 5 mostra um diagrama de blocos típico para explicar o funcionamento de um desses processos de certificação e garantia de listagem.

Etapa 3 (Verificação e manutenção do que é adquirido)

Ao contrário da aquisição de produtos de consumo, onde os direitos dos consumidores são protegidos por certas leis, a aquisição Business to Business (B2B) exige que tudo seja especificado em detalhes. Garantir a segurança contra incêndios com tantos interessados ​​diferentes (todos com motivações comerciais diferentes) precisa de um sistema robusto para maior garantia. Felizmente; já existem mecanismos comprovados seguidos em todo o mundo para implementar isso. Depois de implementar a garantia de materiais por meio de um processo rigoroso de certificação e listagem, a ISO 17020 fornece a linguagem para garantir que as instalações possam demonstrar recorrência.

Começamos com a definição clara de um projeto implementável usando guias publicados (Códigos de Construção) e garantimos que as especificações usem referências corretas para permitir a garantia dos materiais adquiridos e das instalações inspecionadas.

A Imagem 6 descreve essas três etapas para explicar a garantia de portas corta-fogo (e até mesmo outros sistemas). As especificações de aquisição são criadas quando o Plano de Segurança contra Incêndio é criado. Como exemplo, é lançada uma lista de portas corta-fogo com suas configurações de design, bem como classificações em horas. Aqui, as especificações precisam definir claramente a certificação e a listagem como critérios de aquisição. Em seguida, quando os contratados estão usando essas especificações, eles precisam entender como a certificação pode ser verificada (usando diretórios de listagem). Os envios de aquisições precisam ser verificados. E então, quando as portas corta-fogo adquiridas chegarem ao local; A etapa 3 torna-se crítica. As evidências de rastreabilidade, como os rótulos de certificação, devem ser verificáveis. Frequentemente, os diretórios de certificação online conterão desenhos, endereços de fornecedores, bem como verificadores de rastreabilidade como rótulos. A instalação precisa ser inspecionada para evitar a anulação de quaisquer garantias e para garantir que o dinheiro gasto no projeto não seja desperdiçado, garantindo uma validação e verificação.

Em conclusão, processos de verificação rigorosos para a aquisição de materiais, bem como confirmação da instalação, são simples de exigir!

Tabela de Imagens

Imagem1 Principais interessados ​​na indústria da construção

Imagem 2 Principais atividades para garantir a segurança contra incêndios

Imagem 3 Termos e Definições dos Comitês de Avaliação de Conformidade da ISO

Imagem 4 Tabela 1 do guia ISO 17067 que define a severidade dos programas de certificação (Copyright ISO)

Imagem 5 Etapas de um programa de certificação típico

Imagem 6 Passos típicos durante a aquisição de portas de incêndio

* Abhishek Chhabra é engenheiro e detentor de diploma de pós-graduação em finanças. Nos últimos 18 anos tem defendido a necessidade de conformidade com as normas para melhorar a segurança e a qualidade em todos os setores. Ele tem vasta experiência na promoção de avaliação da conformidade em diversos setores, incluindo produtos eletrônicos de consumo, produtos industriais, renováveis ​​e de construção em geografia e jurisdições. Abhishek ingressou na Thomas Bell-Wright International Consultants em 2013 e tem sido a força motriz por trás da expansão das atividades de conformidade de incêndio em novos mercados. Sua valiosa experiência de outras empresas maiores de TIC (Teste, Inspeção e Certificação) tem ajudado clientes e partes interessadas da indústria de construção ao longo dos anos. Além de ajudar os organismos de certificação a expandir seus horizontes de negócios, ele tem escrito artigos e se apresentado em vários fóruns sobre conformidade obrigatória e voluntária de qualidade e segurança. O Sr. Abhishek Chhabra também possui e dirige um blog e um grupo do LinkedIn chamado Gurus of Testing, Inspection and Certification (www.tic.guru), que visa expandir a compreensão da conformidade em todo o mundo.