NOTAS ABPP

 Nota de Recomendação Técnica

Mobiliário Estofado

 O Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio da ABNT (ABNT/CB-024) publicou em 2015 uma norma voluntária para o mercado que trata da inflamabilidade de móveis estofados, sob o nome de ABNT NBR 16405 – Sofás, poltronas e assentos estofados – Avaliação das características de ignitabilidade – Classificação e métodos de ensaio.

A Associação Brasileira de Proteção Passiva Contra Incêndio (ABPP), entende por meio da publicação desta norma, que todos fabricantes de móveis estofados, seguindo a diretriz de melhores práticas e de uma norma vigente, devem se adequar, antes desta norma ser adotada pelos órgãos reguladores, através dos Corpos de Bombeiros e suas regulamentações técnica Estaduais.

No Brasil, visa-se trabalhar uma legislação de incêndio com esta norma de referência para mobiliário estofado. A norma brasileira, base para uma futura legislação, classifica o desempenho dos móveis estofados em situação de incêndio, seja de início acidental ou intencional (como vandalismo). Tal avaliação e posterior classificação se faz necessária para que o consumidor e projetista tenham possibilidade de escolher materiais com base em seu desempenho em situações de incêndio e avaliar seu uso de acordo com o tipo de ocupação da edificação.

O objetivo da NBR 16405 é avaliar a ignitabilidade de sofás, poltronas e assentos estofados, considerando os produtos finais e protótipos que incluam os componentes de estofamento e revestimento. Por meio do Anexo informativo A, Seleção da classe de ignitabilidade, o sistema de classificação desta NBR orienta o projetista na escolha de classe de ignitabilidade do mobiliário estofado, definida na Tabela 5, em função do local de uso, tomando por base a ocupação do local e o grau de risco representado a seus ocupantes.

A norma propõe a exposição dos corpos de prova (considerando geometria fundamental de assento e encosto) a uma série de fontes de ignição de forma sequencial.  Se existirem duas ou mais combinações diferentes de revestimento, forro e material de enchimento, cada combinação diferente deve ser ensaiada usando-se corpos de prova (protótipos) distintos considerando os diversos componentes.

  • Fonte de ignição sem chama (fonte 0): produzida pela brasa-padrão de um cigarro.
  • Fonte de ignição com chama produzida por meio de gás butano (fontes 1, 2 e 3): chama produzida com, aproximadamente, 35 mm, 145 mm e 240 mm de altura, respectivamente.
  • Fonte de ignição com chama produzida por meio de engradado (crib) de madeira seca (fontes 4, 5, 6 e 7): cribs de madeira com diferentes montagens.

Os critérios de avaliação das características de ignitabilidade são definidos para a condição de ignição progressiva sem chama e ignição progressiva com chama. Ambas são fundamentais, porém são condições diferentes de ignição e devem ser avaliadas isoladamente.  A classificação de sofás, poltronas e assentos estofados nas classes de ignitabilidade I, II, III ou IV deve ser feita a partir da execução seletiva de ensaios e fontes de ignição conforme indicadas na Tabela 5, considerando a não ocorrência de ignição progressiva sem chama ou não ocorrência de ignição progressiva com chama em nenhuma das situações. A Tabela 5 – Classificação de sofás, poltronas e assentos estofados quanto à ignitabilidade, abaixo, ajuda na identificação das classes:

Tabela NT Estofado

A NBR 16405 lista as principais classes de ocupações:

  1. Classe I – Ocupações residenciais unifamiliares e multifamiliares e ocupações destinadas à prestação de serviços profissionais como: escritórios, agências bancárias, laboratórios, consultórios médicos, oficinas e assemelhados;
  2. Classe II – Ocupações como: serviços de hospedagem de modo geral, comerciais (lojas em geral), escolas de qualquer natureza, hospitais e assemelhados, edifícios públicos, indústrias e depósitos;
  3. Classe III – Locais de reunião de público de modo geral: museus e assemelhados, bibliotecas e salas de exposição em geral, templos religiosos e assemelhados, centros esportivos e de exibição, estações e terminais de passageiros, teatros, auditórios e assemelhados, arquibancadas de clubes e centros de lazer, construções provisórias destinadas a apresentações ao público, camarotes e assemelhados, restaurantes e assemelhados;
  4. Classe IV – Locais de risco severo, onde seja necessário o controle rigoroso de possíveis focos de incêndio, como plataformas de petróleo e centrais de geração e distribuição de energia.

Com base nos resultados de ensaios pautados pela Tabela 5, o projetista é orientado a selecionar ou indicar o mobiliário estofado de acordo com a classe de ocupação da edificação onde este será utilizado. Quanto maior a concentração de público e o risco de incêndio associado à ocupação, mais restritiva convém que seja a classe de ignitabilidade do mobiliário estofado.

Autoria: ABICHAMA

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NOTA DA ABPP SOBRE INCÊNDIO DO CENTRO DE TREINAMENTO DO FLAMENGO, VARGEM GRANDE, RIO DE JANEIRO.

A ABPP se manifesta com profundo pesar às vítimas do incêndio ocorrido no Centro de Treinamento George Helal, popularmente conhecido com Ninho do Urubu (local onde se encontravam os atletas de base do Flamengo), localizado no bairro Vargem Grande, Rio de Janeiro, RJ. O Corpo de Bombeiros foi chamado às 5h17 e informou que 10 pessoas morreram. Três jovens entre 14 e 15 anos também estão feridos, um deles em estado grave.

A suspeita segundo o G1 é que um curto-circuito em um ar-condicionado foi a causa do incêndio. Eram seis contêineres interligados que serviam de dormitórios. Uma perícia ainda será realizada para determinar as causas e possíveis irregularidades que permitiram que o fogo e fumaça se alastrassem com tamanha rapidez.

A ABPP, em nome de todos os seus associados, está com o pensamento nos familiares das vítimas.

 

NOTA DA ABPP SOBRE INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO, QUINTA DA BOA VISTA.

 

A ABPP manifesta com profunda lamentação, o incêndio ocorrido no Museu Nacional do Brasil, situado à Quinta da Boa Vista, bairro São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ. Além de uma perda de um acervo inestimável, com mais de 20 milhões de itens, perdeu-se um trabalho precioso de cientistas, pesquisadores, estudiosos e profissionais que dedicavam seu dia-a-dia para que o museu permanecesse aberto e recebendo seus milhares de visitantes mensalmente. As medidas de proteção passiva contra incêndio que vimos passarem sem a devida atenção, nos parecem inúmeras. As investigações devem apontar o que ocorreu e o que poderia ser feito para mitigar este tipo de risco. Um edifício com mais de 13.000 m2 de área e mais de três pavimentos em alguns setores, deveriam estar compartimentados por paredes, lajes e selagem corta-fogo. Além disso, muitas áreas com madeira, deveriam estar protegidas com retardantes de chamas, o que atrasaria o famoso flashover e facilitaria seu controle por brigadistas ou bombeiros. Limitar a propagação de chamas, fumaça e gases quentes, são medidas protetivas que visam evitar este tipo de grande incêndio. Formamos uma equipe técnica dentro da ABPP, que estará à disposição de todos Museus nacionais, para prestar esclarecimentos de como a proteção passiva contra incêndio pode ser empregada em edifícios tradicionais e com acervos a serem preservados contra incêndio. Contate-nos através do e-mail: atendimento@abpp.org.br

 

Diretoria Executiva ABPP